


[foto/arquivo] A mística começou com o azul à esquerda: Bis de chocolate, um ícone nacional
Acabamos de
Mesmo apreciando chocolates renomados e com produção refinada e diversificada, como a Godiva, as lojinhas caprichadas da Hussel, a tradicionalíssima Lindt, a charmosa e caprichadíssima Ghirardelli de São Francisco (Califórnia), a deliciosa e brasileiríssima Kopenhagen (que agora têm mesinhas à européia para saborear um bom café) etc., as pessoas colocam o Bis no mesmo patamar de satisfação que os produtos destas empresas de tradição mundial. Mas porquê? Não é por ser feito artesanalmente, nem pela tradição, nem pela publicidade, nem pelo status ou pela griffe e muito menos pelo seu custo. É pelo atributo mais essencial de um alimento: o seu sabor. O Bis, comparado com os chocolates de renome, é como se fôsse o feijão com arroz. Ou seja, de vez em quando é bom apreciar um prato francês, mas o feijão com arroz é o sabor simples e delicioso do dia-a-dia que nunca cansa.

[foto/Del Gatto] Mais um ícone no mercado: não só o novo sabor morango, como também a tradicional caixinha envolta em celofane é um ícone
Não sabemos qual é a fórmula do Bis e nem quem o inventou. Não sabemos se foi um produto desenvolvido cientificamente ou uma fórmula encontrada por acaso.
Mas o fato é que muitos tentam imitar este chocolate aparentemente simples, mas não conseguem. Até a conhecida empresa Nestlé tentou e não conseguiu: o seu chocolate “Sem parar” não se compara ao Bis: é sem graça.
O Bis está tão enraizado na cultura brasileira que, há alguns anos atrás quando algumas pessoas souberam que o Bis ia mudar o design de sua embalagem, ficaram apreensivas: seria como mudar o logotipo do Mc Donalds ou da Ford. Mas foi apenas um pequeno susto, já que se tratava de um re-styling (apenas um rejuvenescimento do logotipo). Mesmo preferindo o design clássico anterior, o essencial do design da embalagem de Bis permaneceu. E o da sua tradicional caixa também. Aliás, a caixa também faz parte da mística: tem gente que come primeiro a fileira de cima e depois a de baixo, outros comem de dois em dois e outros simplesmente esvaziam a caixinha sem olhar fileira alguma.

[foto/Del Gatto] Bis morango: em se tratando de Bis, acabou-se o que era doce
Após alguns anos, tivemos outro sobresalto: soubemos que iriam lançar Bis de outros sabores. Será que os outros sabores conseguiriam chegar aos pés do Bis tradicional? Em geral este tipo de coisa não dá muito certo. O bombom Ouro Branco nunca chegou aos pés do Sonho de Valsa. E o Sonho de Valsa “Mais” (em tabletes) tem gosto de isopor recoberto com chocolate seco.
Mas, no Bis deu certo: o Bis Branco tem uma personalidade própria. Já o Bis de Laranja pareceu ser uma idéia completamente descabida. Laranja? Mas o que isso tem a ver com o Bis? Parece uma extensão de linha oportunista, e quem sabe até empanasse a imagem do Bis tradicional. Mas a realidade é que eles acertaram mais uma vez: o Bis laranja não é para ser saboreado frequentemente como o Bis tradicional, mas tem um sabor que poderia ser definido como um delicioso “je ne sais quoi”.

[adaptação/editoria de arte] Bis Light: idéia e embalagem inéditas concebidas pelo jornal The Del Gatto Times
E agora surge o Bis morango, a melhor coisa que aconteceu no Brasil nos últimos tempos. E a verdade é que novamente deu certo: delicioso, levemente azedinho e com um aroma perfumado de morango.
Na realidade, o Bis é um ícone. Algo como a fórmula da Coca Cola brasileira. Mesmo que agora pertença à Kraft Foods, o Bis é um patrimônio brasileiro que têm como guardiães do seu sabor todas as gerações de brasileiros. Mas um chocolate ser um patrimônio nacional? Parece bobagem? Mas o que dizer então da Suiça, com seus chocolates e canivetinhos?
Só falta agora lançar o Bis Light. E em uma iniciativa pioneira, O The Del Gatto Times já desenvolveu até a embalagem (ver ilustração acima). E por esta idéia pede apenas uma coisa: nas propagandas, coloquem mulheres como o Bis, deliciosamente simples.
Del Gatto - Editor-Executivo
